O que é ser um palhaço? Palhaço,
palhaço mesmo. Não palhaço político, que atualmente esta na moda,
e nada contra palhaço político e sim político que se faz de
palhaço, ai não da pra atura não! Na verdade da pra atura sim,
né?!, Porque se não, eu não estaria sentado aqui, sem faze nada, e
vocês ai também. Será que a gente é uma daquelas pessoas?! Que
pessoas? Aquelas pessoas!! Ah... Vocês não sabem?!, Aquelas que
reclamam, e reclamam, e dizem que isso não pode, que aquilo não
devia estar acontecendo, mais não fazemos nada pra mudar a realidade
em que vivemos, a “dura” realidade que vivemos. Na verdade
algumas vezes até fazemos algo em relação sim, sabe, comentamos
com outras pessoas que não fazem nada em relação, e discutimos,
filosofamos... e depois cada um vai embora pra sua casa, e deita de
barriga pra cima, e fica pensando em como mudar, e transformar o
mundo.... mas acabamos caindo no sono, e dormindo. E no outro dia,
muitas vezes nem nos lembramos das conversas da noite anterior, dos
planos de mudar o mundo. Ou nos lembramos, e nos admiramos, falando
pra nos mesmo, “puxa... que conversa bacana que eu e o fulano de
tal, tivemos ontem”. Mais não passamos disso, na verdade eu não
sei que admiração é esta, de ficar admirando, conversas e
conversas que acabam com os agentes de transformação dormindo. Não
estou criticando o diálogo, não, este é essencial para uma
sociedade democrática. Mas, até quando vamos ficar planando no
mundo das idéias? Até quando?.
Vocês eu não sei, mas pra mim basta,
eu não agüento mais, é angustiante, doloroso, asfixiante, isto
está me matando aos poucos, basta! Basta, falar em mudança e
continuar sentado, basta, falar em transformar o mundo, a sociedade e
não transformar nossas atitudes antes, basta falar em igualdade, e
continuarmos sendo preconceituosos, preconceituosos, com os idosos,
com os portadores de deficiência, com os homossexuais, com os
jovens, com os alunos... e vários outros preconceitos, que destroem
cada vez mais a mim e a vocês. Chega!
Hoje eu vou faze alguma coisa, na
verdade eu já estou fazendo, ou vocês acham que subir nesse palco
aqui e olhar nos olhos de cada um de vocês, e falar estas coisas que
estavam me matando, me abrir, me expor pra vocês dessa forma, sem
saber ao menos o nome, o nome daqueles que estão me ouvindo, e
dizer, o que estava guardado dentro de mim, e apenas eu sabia, e que
não era de modo algum pra sair, por conta do medo, sim por causa do
medo, do medo de não saber o que vocês iriam pensar de mim, depois
que descobrirem meus pensamentos, o que vocês iriam dizer pra as
outras pessoas depois de saírem daqui e comentar com outros, e
criticar, ou elogiar, ou identificar-se... todos estes futuros
acontecimentos, e todas as vertentes possíveis do que vocês iriam
fazer, passaram pela minha cabeça, varias e varias vezes, ate mesmo
momentos atrás antes de eu subir neste palco. E este pensamento me
aprisionava, me impedia, me segurava, me acorrentava..., nos meus
pensamentos, como um detetive investiguei ao fundo cada opção de
pensamento que vocês poderiam ter depois que eu me apresentasse
aqui, e olha que alguns eram muitos cruéis, mas outros muito
agradáveis.
E eu tive medo, pois eu iria me expor,
iria ser o objeto de estudo, cada movimento meu, cada palavra, cada
sussurro que eu fizesse, vocês captariam, nada poderia ser
escondido, nenhum desejo, nenhum pensamento, nenhuma atitude, e eu
tive medo, medo de ser mal interpretado, de não me expressar da
melhor forma possível, de não conseguir fazer com que vocês
saíssem daqui diferentes de como entraram, de não conseguir fazer
que o que eu falei aqui ficasse martelando na cabeça de vocês. E
esses pensamentos sobre o futuro quase me detiveram, eu iria perder a
batalha antes de entrar em combate, muitas vezes, nós somos os
nossos piores inimigos, nos aprisionamos, nos acorrentando em nossos
pensamentos derrotados. Mas hoje eu tive um lapso de loucura, de
querer experimentar o novo, o sabor da mudança, do diferente, sem me
preocupar como este seria, me libertando, me emancipando de mim
mesmo, de falar o que nunca falei, de cantar, e dançar, de ser
criativo, e isto foi maravilhoso! Cantei e dancei, sem saber, na
verdade eu sempre soube, mais não sabia que sabia. Na verdade
descobri que podemos fazer qualquer coisa, cantar, dançar, escrever
uma poesia, pintar um quadro, criar! Isto mesmo criar, pois somos
todos feitos da mesma matéria, o que um homem pode fazer o outro
pode fazer também, somos frutos de uma sociedade que desde quando
nascemos fomos impedidos, limitaram nossas ações, nossos
pensamentos, nossos sentimentos, fomos proibidos. E desde então,
continuamos sendo escravos de nos mesmos, precisamos nos libertar, e
como faremos isto? Criando. Escrevendo como nunca escrevemos antes,
falando o que nunca falamos antes, pintando como nunca pintamos
antes, esculpindo como nunca, fazendo teatro como nunca antes...
Criando nossa própria Arte, produzindo Arte, produzindo Cultura, e
não apenas engolindo, e consumindo a arte que nos é oferecida,
oferecida não! Forçada a nós, pelos dotados de poder, ou
opressores como queiram.
Precisamos começar a utilizar destes
meios de libertação que são as Palavras, as Imagens, e os Sons,
que foram arrancados de nos, que foram usados contra nos, precisamos
dizer basta, e começarmos a agir. E hoje eu convido a vocês a
utilizarem destes meios para se libertarem, convido a vocês dizerem
basta, aos seus pensamentos derrotados, que a sociedade colocou na
cabeça de vocês e fizeram vocês acreditarem, como “eu não
posso”, “eu não consigo”, basta, ao medo do novo, da mudança,
ao preconceito, basta aos opressores.
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